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Organização e planejamento orçamentário doméstico

Primeiramente, vamos definir alguns termos envolvidos nessa matéria:

  • Orçamento: plano financeiro estratégico, para determinado período;
  • Estratégia: planejamento de ações visando um objetivo, considerando o máximo de variáveis possíveis;
  • Doméstico/pessoal: define quais as despesas, o quanto de cada uma, e o que fazer com eventuais excedentes de renda/salário.

Feito isso, vamos ao ponto de partida. Que será sempre a realidade do interessado. Cada caso é um caso. Famílias que possuem idosos ou doentes tendem a gastar mais em medicamentos do que uma família que não possua esse tipo de integrantes.

A seguir, dividiremos o trabalho em etapas, a saber:

Primeiro passo: quanto eu ganho, ou de quanto eu disponho?

  • se a pessoa for assalariada, mas fácil será a montagem do orçamento;
  • se for alguém que vive de comissões, ou possui renda variável, demandará mais cuidado na elaboração do plano.

Renda eventual (distribuição de lucros, herança, prêmio de loteria) não são consideradas para a montagem do Orçamento Doméstico/Pessoal. Ela poderá funcionar como reserva financeira, ou colchão de segurança.

Segundo passo: listagem de quais são as despesas regulares da casa/família. São aquelas que ocorrem todos os meses, ou em praticamente todos. Ex.: contas de energia elétrica, de água, aluguel, taxa de condomínio…

Nesta fase já é possível identificar alguns vilões que contribuem para o endividamento, e é chamada de LEVANTAMENTO DE DADOS:

  • compras por impulso;
  • uso frequente ou regular do limite do cheque especial;
  • uso excessivo do cartão de crédito, gerando saldo no rotativo (juros dessa modalidade estão na casa dos 14,25% a.m., ou 395% a.a.);
  • contratação de empréstimos ou financiamentos;
  • pequenas despesas (que geralmente não são consideradas).

Terceiro passo: apurar a realidade nua e crua, ainda sem qualquer tipo de interferência. Nessa fase aparecem as distorções, os excessos e, também, já se consegue visualizar eventual potencial para geração de excedentes. Surgem os indícios de compras por impulso, as situações inesperadas (doenças, acidentes, desemprego, imprevistos). Chamamos essa fase de ORÇAMENTO ESTIMADO.

Quarto passo:  definir as estratégias para ‘enxugar’ os gastos, respeitando a realidade de cada cliente ou família. É um processo de convencimento, coletivo, e que deverá envolver todos os integrantes da família, permitindo eventuais fiscalizações de parte a parte.

Quanto à renda, é hora de verificar se podemos aumentá-la, produzindo maior conforto financeiro. Todos darão sua parcela na execução do projeto. Essa fase é chamada ORÇAMENTO DE TESTE.
Quinto passo:  acompanhamento da adequação ao que foi decidido anteriormente. É o momento em que a família/cliente se ajusta à realidade que ela mesmo determinou para si.

Sexto passo: uma vez adaptadas as despesas em função da renda informada, é hora de deixar a família caminhar sozinha.

Lembramos que até recentemente a paridade IDEAL da renda da família brasileira era de 70% x 30% (ou seja, 70% para atender as despesas e os 30% restantes destinados para poupança, eventual financiamento e reserva para imprevistos).

A seguir listamos orientações para um melhor controle do dinheiro:

No supermercado:

  • elaborar uma lista de compras, e não fugir dela;
  • evite levar crianças às compras. Não sendo possível deixá-las, forneça lanche antes de ir ao supermercado. Isso vale também para os adultos: a fome é má conselheira;
  • compre somente a quantidade que vai consumir no período;
  • dê preferência aos produtos de época (seus preços são menores);
  • analise as ‘ofertas’; para isso é fundamental possuir informações.

Ao telefone:

  • direcione suas chamadas para o horário reduzido;
  • utilize o telefone de forma racional, sem estender-se;
  • não esqueça que o celular possui tarifas mais altas, em função da comidade que oferece.

Consumo de água/energia elétrica:

  • mantenha torneiras e chuveiros sob controle, verificando eventuais vazamentos. Confira permanentemente as contas de água e energia;
  • utilize a água racionalmente. Acompanhe evolução de consumo pela conta mensal;
  • aproveite ao máximo a iluminação natural. Dê preferência a lâmpadas fluorescentes, eletrônicas ou de LED;
  • mantenha geladeira e freezer longe de fontes de calor. Confira a vedação desses eletrodomésticos. Regule o botão da temperatura em função do seu uso;
  • acumule roupas para passar a fim de otimizar o uso do ferro elétrico. Tenha esse cuidado também com a máquina de lavar. Lembre que os aparelhos que alteram a temperatura são os que mais consomem energia elétrica;
  • não se demore no banho. Mantenha o chuveiro regulado com a temperatura compatível à época do ano;
  • desligue da tomada todos os aparelhos que possuam a ‘luz-piloto’ e que não estejam sendo usados.

Nas compras:

  • faça as três perguntas fundamentais antes de adquirir algo: “eu quero”, “eu posso”, “eu preciso”? Se alguma das respostas for ‘não’, adie a compra;
  • prefira sempre pagamento À VISTA. E exija sempre o desconto;
  • ao comprar a prazo verifique as taxas embutidas (analise o CET, Custo Efetivo Total). Abandone o mau hábito de se preocupar somente se “a prestação cabe no meu salário”;
  • pagamentos antecipados de parcelas envolvem desconto proporcional nos juros.

Com os cheques:

  • para efeitos bancários, não existe CHEQUE PRÉ-DATADO. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. Portanto, cuidado;
  • evite entrar no limite do cheque especial. Essa é a segunda maior taxa de juros na economia brasileira, só perdendo para o rotativo dos cartões de crédito.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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