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Como proceder para reestruturar suas finanças

Algumas recomendações para você se reorganizar financeiramente, mesmo que já esteja com dívidas. Sentindo dificuldade, não pense duas vezes em procurar um consultor: esse investimento se paga rapidamente.

Use investimentos e reservas para pagar seus débitos: Nenhuma aplicação rende a mesma taxa que o varejo cobra pelas vendas a prazo. Matematicamente é muito mais vantajoso abrir mão de uma reserva financeira para liquidar uma dívida, principalmente se esta estiver atrelada a uma alta taxa de juros. Mas cuidado: às vezes, é melhor ouvir a opinião de alguém entendido porque, dependendo do que você dispuser para venda (imóveis, carros, etc.), o profissional saberá lhe informar a melhor maneira de otimizar os resultados desse seu esforço.
Renegocie suas dívidas: Diferentemente do que prega o senso comum, o empresário é um sujeito que está interessado em receber seu crédito, e liquidar a pendência. Mesmo que para isso seja necessário que ele, credor, corte um pouco na própria carne. Portanto, não se acanhe em propor uma renegociação do seu débito se você não tem mais margem para pagamento, ou não possui bens (móveis, imóveis ou financeiros) para amortizar ou liquidar a dívida. Havendo dificuldade, ou sentindo-se inseguro(a), procure um consultor.
Sempre considere a inflação: Aqui, um cuidado que parece de menor importância, mas que faz diferença: a inflação ainda existe no Brasil. Tome como regra que, normalmente, os salários não acompanham o desempenho da inflação. Em projetos de médio e longo prazos, isso pode se tornar sério. Ajuste regularmente seu orçamento (ou sua situação e seus débitos) sempre prevendo o impacto inflacionário.
Atenção especial com o dinheiro de plástico: Os cartões vieram para substituir os cheques, e até o dinheiro. No caso do cartão de débito, quando você não possui mais saldo na sua conta e faz uma compra, o máximo que pode ocorrer é aquela situação vexatória de ver a maquininha recusar o pagamento. Já com o cartão de crédito é diferente: mesmo sem nenhum recurso, você pode continuar comprando, desde que o valor esteja dentro do seu limite de crédito. E é aí que mora o perigo: uma pessoa que não consegue organizar suficientemente seu dinheiro e seus recursos, muito provavelmente será um mau usuário do cartão de crédito. E isso tem seu preço: juros astronômicos e, em pouco tempo, um saldo devedor impagável. Resultado: negativação no SPC e Serasa, nome sujo na praça, e acesso ao crédito travado. Mas saiba que até para liquidação de uma grande dívida no cartão há meios de negociação para redução do valor. Consulte um especialista a respeito, se esse for o seu caso.
Anote toda sua movimentação financeira e pagamentos: As pessoas precisam se acostumar a proceder como as empresas: ter tudo lançado para, numa eventualidade, poder discutir alguma cobrança indevida ou comprovar pagamento efetuado. Assim como temos devedores desorganizados (ou pessoas desorganizadas que se tornam devedoras), há os credores desorganizados (por pura indolência e, às vezes, por desonestidade mesmo). Tendo tudo controlado e lançado, anotado, fica muito mais fácil discutir eventuais cobranças indevidas, bem como acionar o seu banco na hipótese de ter que provar que pagou com cheque. Ah, e muito importante: essa organização deve passar também pela guarda dos comprovantes de todos os pagamentos feitos durante o mês, como contas de água, celular, luz, telefone fixo, doméstica, etc.
Planeje sempre suas compras: Parece conselho que se dá para criança, mas sempre que for ao supermercado, anote tudo o que precisa comprar. Deixar para a memória lhe lembrar do que precisa, quando estiver dentro da loja, é uma má decisão: com aquela profusão de opções e novidades, é certo que você sairá levando algo que nem tinha imaginado comprar. E é por aí que escorrem valores que poderão fazer falta no final do mês para fechar seu orçamento. Na medida do possível, deixe o cartão em casa. Use-o apenas em casos especiais, ou em emergências.
Saiba para onde vai o seu dinheiro: Identificando quem fica com seu dinheiro se torna muito mais fácil monitorar onde cortar despesas para fazer fechar as contas no final do mês. Procure, inicialmente, distribuir suas compras em três categorias: aquilo que é necessário, aquilo que é capricho, e aquilo que é puro desperdício. De saída, elimine essa última. Persiga sempre a otimização de custos, e não hesite em excluir aquelas compras que não fazem diferença no seu dia-a-dia.
Promoções, um terreno pantanoso: Está provado que nosso cérebro, a máquina mais fabulosa que se conhece, possui defeitos. E nem poderia ser diferente. Nossa mente nos prega algumas peças, e isso tem sido motivo de estudo de especialistas comportamentais. Uma dessas falhas: quando lê “promoção”, ele já assume aquele como sendo um grande negócio. Mas nem sempre é assim. Quando se defrontar com uma promoção, procure saber: a)- se aquilo que está sendo ofertado é necessário para você; b)- se a condição oferecida realmente é diferenciada, mais barata, etc. É comum ver casos de anúncio de promoção em uma rede de lojas e, na concorrente, o preço ser menor. E sem o alarde promocional.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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