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Comece já a sua recuperação financeira

Poucos assuntos são mais pessoais que nossas relações com as finanças. Quem está com problemas financeiros, ou quem é profissional da área voltado a atender e resolver casos de clientes sabe muito bem o que isso significa. O desordenamento nas finanças familiares provoca, repetidamente, consequências que podem desembocar na separação de casais. Porém, como a base do brasileiro com relação ao assunto é deficiente, por mais que os interessados adquiram livros, leiam, e tentem pôr em prática o que neles é aconselhado, ainda assim não conseguem resultados. Eu costumo dizer que vender livros sobre ‘como enriquecer’ ou tratando do ordenamento das finanças pessoais ou empresariais não raro só traz resultado ao autor, na forma de um polpudo faturamento. Isso porque o ensino brasileiro não contempla e não incentiva os jovens a formar conhecimento nessa área. Quem labuta nesse segmento é alguém que certamente foi atrás de cursos , imersões e workshops, tudo por conta própria.

Gustavo Cerbasi, consultor de finanças pessoais, afirma que desde que escreveu seu best-seller Casais inteligentes enriquecem juntos, há oito anos, vendeu mais de 1 milhão de exemplares, mas recebe uma enxurrada de e-mails de leitores relatando que seguiram à risca os conselhos do livro, mas não conseguiram poupar. Talvez a explicação esteja na cultura do brasileiro, que prefere que alguém lhe acompanhe nesses passos, ao invés de se jogar sozinho na busca de solução para esses problemas. Os exemplos estão aí diariamente, gente que imagina que adicionou conhecimento a respeito do assunto mas que não consegue pôr em prática aquilo que os vários livros que adquiriu recomendam.

A despeito de várias alternativas que ensinam como trilhar o caminho do equilíbrio em relação a suas finanças eu, particularmente, procuro ser o mais direto e objetivo possível, dividindo o mapeamento da situação em poucos passos:

  1. Saiba o quanto você ganha: parece incrível, mas a experiência pessoal comprova que grande parte dos clientes que me procuram não sabem, nem aproximadamente, qual a sua renda. Sem essa informação, todo o resto do trabalho estará comprometido. Há gente que considera o limite tanto da conta de depósitos quanto do cartão de crédito como “renda complementar”;
  2. Conheça todas as suas despesas: a maioria das pessoas se preocupa com os gastos substanciais, como mensalidade escolar, prestação do carro, ou da casa própria. Mas não lembra que, fumando dois maços de cigarros por dia, terá sua renda ‘sangrada’ em meio salário-mínimo por mês;
  3. Dívidas: se houver, precisam ser regularizadas o quanto antes, tudo dentro de uma hierarquia lógica. Empréstimos e financiamentos podem se tornar um ralo financeiro dependendo das taxas de juros com as quais foram contratados;
  4. Fase do enxugamento: de posse das informações acima, é hora de “queimar gorduras”. Seja por desconhecimento, seja por comodismo, é praticamente certo que haverá custos que poderão ser cortados sem comprometer substancialmente a qualidade de vida, e que parecem intocáveis. Lembre que ajustando suas finanças, a recompensa será gratificante;
  5. Ajustes: um acompanhamento do orçamento pessoal ou doméstico, por certo período de tempo, proporcionará os ajustes necessários para que, como que num passe de mágica, comece a sobrar dinheiro. É hora, então, de galgarmos o último degrau:
  6. Forme uma reserva financeira: nesse primeiro momento não vai interessar muito o percentual que essa poupança representará da sua renda. O importante é que se crie o hábito de ‘fazer sobrar’. A partir de então, mensalmente, a pessoa poderá aplicar um dos princípios básicos das finanças pessoais, o “pague-se primeiro”: ao receber seu salário, separe imediatamente a parcela destinada à poupança. O que restar será direcionado ao consumo, invertendo a lógica em uso até então.

Claro que essas são fases elementares e gerais para identificação dos problemas orçamentários de qualquer pessoa ou família. Você poderá encontrar ordenamentos semelhantes com muito mais etapas, mais sofisticados, que incluam “aplicação na Bolsa” ou “reserva para aposentadoria”.  Na minha ótica, esses são processos que surgirão automaticamente no desenrolar do trabalho. A intenção aqui é demonstrar, de modo facilitado, que não é difícil iniciar um método de recuperação financeira. Basta querer. Se desejar um grau maior de certeza e profissionalismo, não hesite em entrar em contato com um orientador financeiro: você verá que o dinheiro investido na busca desse profissional se pagará rapidamente com os resultados que ele produzirá.

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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