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Centavo de troco aumenta lucro de empresas

No dia 30 de agosto levamos ao ar, aqui mesmo na RBC, um programa em que perguntávamos aos ouvintes: “De quantas maneiras você vê o seu dinheiro evaporar?”. Uma das participantes declarou que um dos seus defeitos era justamente “não dar bola para as moedas que ficam no balcão, de troco. Eu simplesmente não as pego”. E ela sabia que agia errado, e prometeu se policiar a respeito.

Pois bem. O Portal R7 divulgou uma matéria, no último dia 14, onde identifica esse problema. Algumas empresas tem se utilizado desse tipo de artimanha para “engordar” seus resultados financeiros. Se isso lhe parece piada, entenda o que explicaremos a seguir. Veja o que R$ 0,01 (um centavo) pode representar quando desprezado.

A entrega de troco é uma obrigação de quem lhe vende um produto um serviço. Mas o que acontece se ele não tiver a moedinha (ou qualquer outra quantia de troco) para lhe dar? Com a palavra, Elisabeth Baesso, diretora do PROCON-SC:

“No caso do lojista/prestador não possuir a moeda para lhe dar de troco, ele deve arredondar o valor PARA MENOS, nunca para mais”.

Parece elementar, mas dificilmente se vê isso. E a culpa maior é do consumidor, já que desconhece os seus direitos. Por isso essa profusão de preços nas ‘promoções”: R$ 9,99, R$ 49,99 ou R$ 99,99. Essa adoção de preços com “final 99” impacta de duas maneiras na cabeça do consumidor desavisado: pressupõe um nível de preço menor (na nossa mente, num raciocínio rápido, R$ 99,99 pode ser um preço  BEM MAIS EM CONTA do que R$ 100,00), além de fazer com que não exijamos o troco, de tão pequeno que ele é. Calculamos o impacto da diferença entre exigência do troco, e a não entrega ao cliente. Se uma família de cinco pessoas exigir diariamente seu troco de R$ 0,01, ao final de um ano terá arrecadado R$ 3,65/pessoa, ou R$ 18,00. Já a economista Sandra Aguiar, Coordenadora do Núcleo de Educação do Consumidor da Universidade Federal do Ceará, afirma que, de acordo com pesquisas, circulam aproximadamente 2.600 pessoas ao dia em um supermercado de médio porte. Se cada uma deixar R$ 0,01 ao final do dia, a loja terá lucrado R$ 26,00. Ao final de um ano, o supermercado terá lucrado R$ 9.490,00 sem ter vendido um produto sequer.  Podemos afirmar que quem não exige R$ 0,01 tende a também não dar muita bola para R$ 0,05 ou R$ 0,10. O grande problema é o resíduo cultural de alta inflação que ainda temos, de onde herdamos esse descaso para com os pequenos valores. E os balconistas são categóricos: “É raro alguém exigir troco pequeno”.

Existe a informação de que a moeda de R$ 0,01 não é mais produzida pela Casa da Moeda desde 2004. Segundo o Banco Central, elas continuam sendo produzidas, sim, porém em menor quantidade. Mesmo assim, há uma estimativa de que as que estão em circulação somem quase R$ 32 milhões (ou 3.190.802.822 de unidades, segundo o Banco Central). Fabrica-las não é tão barato: para produzir uma moeda de 1 centavo, a Casa da Moeda gasta R$ 0,10. Já para a moeda de R$ 1,00, o custo é de R$ 0,30.

Como podemos ver, as moedas existem. O que falta é cultura financeira para a população.

E, para terminar, o embasamento legal para exigência do troco: exigência de cumprimento do anúncio (Código de Defesa do Consumidor, artigos 30 e 35), e publicidade enganosa (artigo 37, § 1º e 67, do CDC).

Programa levado ao ar na Radio Brasil Central de Goiânia em 20/09/2011.


 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

Veja os comentários para esta notícia

  1. stefani disse:

    olâ!

    Estou fazendo um artigo academico e gostaria de me profundar mais no tema, poderia me dar algumas dicas de sites livros.

    grata.

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