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Bobagens financeiras que custam caro (2)

Seja por comodismo, seja por desconhecimento, algumas atitudes com seu dinheiro podem lhe render uma grande dor de cabeça futuramente. E nem estou falando apenas de tratá-lo mal, com desdém (lembre-se da máxima: “dinheiro não aceita desaforo”), mas sim do fato de – ao sobrar alguma quantia – não estar com previsão ou finalidade do que fazer com ela.

Bobagens todos cometemos, alguns até com rara facilidade. Mas o fato é que, numa vida competitiva como a nossa, descuidar do nosso suado dinheirinho não é boa recomendação. Precisamos ter um planejamento da nossa vida para o curto, médio e longo prazos e isso, invariavelmente, envolve dinheiro.

O portal Exame publicou uma reportagem em que lista “as 10 bobagens financeiras que custam caro“. Tomei a liberdade de excluir algumas e inserir outras, baseado na experiência que venho acumulando como educador financeiro. Continuemos com elas:

6. Entrar no crédito rotativo do cartão. Uma das piores decisões que um devedor pode tomar. Lançar mão de empréstimo em dinheiro, no Brasil, é proibitivo. Se alguém deixou de pagar um saldo de R$ 1.000,00 no cartão de crédito, e não tomar providências, com as taxas cobradas (há casos de 13% a.m.) esse valor passará a R$ 1 milhão em apenas 4 anos e 9 meses! O giro no rotativo por poucos meses condena o usuário comum a entrar numa situação sem volta;

7. Não prestar atenção aos custos nos investimentos. Conforme aconselhamos anteriormente, antes de tomar decisão de fazer alguma aplicação financeira o cliente precisa estar a par de todas as características do investimento, para que essa deliberação não se transforme num pesadelo. Analisar taxas, custos, e impostos envolvidos no processo traz mais segurança a quem vai investir.

8. Pensar que rentabilidade passada vá se repetir no futuro. Imaginar que o comportamento de um fundo ou de uma ação específica vá se repetir no futuro é um erro clássico e, geralmente, fatal. Em finanças não há garantia de que rentabilidade passada vá se repetir. Portanto, o comportamento daquela aplicação deve ser tomado apenas como um referencial, sem expectativa de que irá se reproduzir. É por isso que costumo dizer: “Bolsa de Valores é um terreno para profissionais”.

9. Adquirir bens de consumo no cartão de crédito. Como o próprio nome diz, bens de consumo são itens de uso rápido. A menos que você seja um craque no controle financeiro, fuja da aquisição (principalmente se ela for parcelada) desse tipo de produto no cartão de crédito. Hoje compramos remédios, alimentos, bebidas, combustível, viagens, tudo em duas, três e não raro mais vezes. Tomemos o caso do combustível: você já o terá gasto, e ainda estará pagando. Não é uma boa estratégia. Para esse tipo de gasto, eu aconselho sempre fazer uma pequena reserva financeira.

10. Não conferir e não se inteirar do que acontece com sua conta de depósitos. Os balanços de 2011, publicados pelos cinco maiores bancos no Brasil, mostram um lucro inédito na história bancária brasileira. Claro que boa parcela disso advém da intermediação de dinheiro (o chamado spread bancário), da venda de produtos financeiros e das operações regulares de empréstimos. Mas há também uma fração significativa oriunda das taxas e das “cestas” e “pacotes” de serviços cobrados dos correntistas, valores esses muitas vezes negociáveis. Débitos indevidos e cobranças inadequadas engordam os balanços dos bancos. Se você não reclamar, não espere que o Banco o faça. Tenha sua conta de depósitos sempre sob controle.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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