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Bobagens financeiras que custam caro (1)

Seja por comodismo, seja por desconhecimento, algumas atitudes com seu dinheiro podem lhe render uma grande dor de cabeça futuramente. E nem estou falando apenas de tratá-lo mal, com desdém (lembre-se da máxima: “dinheiro não aceita desaforo”), mas sim do fato de, também,  ao sobrar alguma quantia, não estar com previsão ou finalidade do que fazer com ela.

Bobagens todos cometemos, alguns até com rara facilidade. Mas o fato é que, numa vida competitiva como a nossa, descuidar do nosso suado dinheirinho não é boa recomendação. Precisamos ter um planejamento da nossa vida para o curto, médio e longo prazos e isso, invariavelmente, envolve o dinheiro.

O portal Exame publicou uma reportagem em que lista “as 10 bobagens financeiras que custam caro“. Tomei a liberdade de excluir algumas e inserir outras, baseado na experiência que venho acumulando como educador financeiro. Vamos a elas:

  1. Deixar dinheiro na caderneta de poupança. As principais vantagens desse tipo de aplicação são a liquidez (pode ser sacada a qualquer momento), a rentabilidade ainda atraente (falaremos sobre mudanças adiante em outra postagem) e ausência de taxas de administração ou outras. Mas ela está longe de ser uma forma de aplicação financeira interessante para quem quer investir por um prazo maior. Em anos de inflação elevada (o que não tem sido o caso) ela corre o risco de ter rentabilidade real negativa. Por fim, ela acaba se tornando uma espécie de ‘porto seguro’ no caso da formação de uma reserva de emergência ou, como costumo chamar, “colchão financeiro de segurança”;
  2. Investir na bolsa dinheiro que será usado no curto prazo. Pois bem: esse é um dos motivos que aconselhamos as pessoas a manterem investimentos diferentes em função da necessidade do seu dinheiro. O valor de reserva, que pode (ou precisa) ser usado no curto prazo, deve ir para uma caderneta de poupança. O investimento de médio prazo, para cobrir a aquisição de um bem ou até uma viagem, com um ano de distância, pode ir para aplicações um pouco mais sofisticadas, como o CDB, fundos DI, ou até uma LCI (Letra de Crédito Imobiliário). No longo prazo, caso queira correr um pouco de riscos, a Bolsa de Valores. Se não, Tesouro Direto.  Mas procure sempre, antes, desvendar os mistérios das taxas de administração, carregamento e tributação. Uma escolha mal feita pode tornar seu investimento anti-econômico. No mercado financeiro existe um velho ditado que reza: “na bolsa pode ser investido o dinheiro do uísque, mas jamais o do leitinho das crianças“. Isso significa que, na Bolsa de Valores, apenas aqueles valores que podem correr algum risco, e que não são tão necessários;
  3. Não fazer um pacto pré-nupcial. Quem casa o faz pensando que será para a vida toda. Porém, a realidade nos mostra que, cada vez mais, essa certeza está desmoronando. Antes de assumir um compromisso já pensando no pior, uma decisão bem pensada evita desgastes diversos num eventual litígio. Quando um dos cônjuges (ou ambos) possui patrimônio apreciável, é recomendável que se proceda à lavratura de um documento da espécie, que estabelecerá o regime de partilha dos bens em caso de divórcio, ou incluirá regras detalhadas do que ficaria para cada um no momento do divórcio. Veja essa decisão como uma espécie de planejamento financeiro. A comunhão parcial de bens é, hoje, o regime padrão da legislação brasileira. Ela pressupõe que apenas os bens adquiridos a título oneroso durante o casamento são partilháveis. Isso exclui heranças, doações, e tudo o que for comprado com esses recursos, desde que comprovado.
  4. Elevar franquia do seguro do carro para pagar menos. Essa é clássica. O sujeito pede um orçamento ao banco ou ao corretor. À medida em que vai analisando as verbas, pede pra reduzir o valor para danos materiais e danos pessoais. Por fim, pra ‘baratear’ um pouco mais, pede para aumentar a franquia. Bingo! Se ele se envolver num sinistro, verá que foi a dita economia mais porca da sua vida. No ramo de seguros, assim como em praticamente tudo na vida que envolva dinheiro, temos que procurar as melhores condições.
  5. Endividar-se substancialmente para comprar a casa própria. Quem tem esposa sabe o que é isso. As mulheres, normalmente, querem urgência na compra da casa própria. Mas há fatores a considerar. Existem situações em que adquirir uma é completamente anti-econômico. Características do trabalho, viagens freqüentes, são apenas alguns dos pontos a serem analisados. Assim como o desconhecimento de como funciona o sistema de financiamento. O brasileiro, por natureza, analisa apenas e somente se a prestação caberá no seu ‘orçamento’. Normalmente ele não calcula ou não projeta o efeito que os índices inflacionários produzirão no valor da prestação do imóvel. É muito comum vermos casos em que o comprador recebeu aumento salarial em índice menor do que a valorização das prestações. Nesse caso, está montada a bomba-relógio que poderá inviabilizar o seu futuro. Um renegociação com o banco ou, pior, com a própria incorporadora tendem a gerar prestações que não condizem com seu saldo devedor. Esteja sempre acompanhado de um profissional nesses casos.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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