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Você confere sua fatura do cartão? Pois deveria

O cartão de crédito possui peculiaridades, algumas ‘escondidas’, que podem representar a ruína do seu detentor. O uso do dinheiro de plástico tem sido uma polêmica que, associada à má conduta dos brasileiros, contribui para que muitas famílias se tornem inadimplentes. É o típico desconhecimento sobre o que se tem. Eu costumo comparar o cartão de crédito a uma granada: se você tem em mãos, e não sabe manusear, certamente vai se machucar.

Regularmente apontado como o vilão do orçamento familiar, o cartão de crédito está longe de ser esse monstro que todos pintam. Experimente pegar o seu cartão, deixá-lo fechado em uma gaveta e, dois meses depois, verifique as bobagens que ele fez. Nenhuma! Algo como no caso das armas de fogo: é nas mãos das pessoas que elas se tornam perigosas.

Uma parcela nada desprezível dos problemas vividos pelos donos de cartões é o ‘empréstimo’ deles para parentes ou amigos. Trata-se de um comportamento de altíssimo risco. Uma pessoa que tem em mãos um contrato de crédito que não é dela, e que mesmo gastando muito não poderá ser formalmente responsabilizada, de que forma se comportaria? Esse é o perigo que corre quem procede assim em nome de uma amizade.

Talvez o grande problema dos brasileiros com seu cartão de crédito seja a verdadeira paixão que aqueles possuem com o rotativo. É claro que não conhecem a forma de funcionamento dele, senão jamais cogitariam uma possibilidade assim. Como não sabem quantificar o tamanho do dano, seguem com seu uso sem se dar conta que é justamente essa ferramenta, que para alguns é a ‘salvação’, quem corrói seu orçamento mensal. O rotativo é um limite adicional fornecido pelas instituições financeiras ao cliente. Serve para saque em dinheiro e/ou postergação de pagamento da fatura. Hoje, o pagamento mínimo da fatura é de 15% do seu valor total. Dessa forma, numa eventualidade, o consumidor poderá jogar até 85% no rotativo. Mas isso tem um custo. E proibitivo. Veja (dados de FEV/2015):

Por isso, as recomendações são sempre essas:

  • ao receber sua fatura para pagamento, confira absolutamente tudo, desde a relação de compras efetuadas até a data do vencimento e o valor total;
  • jamais se desfaça dos comprovantes de compra antes de conferir a fatura do cartão;
  • evite, desesperadamente, entrar no rotativo. Trata-se de uma viagem sem volta;
  • após o pagamento da fatura, guarde-a com o comprovante de quitação anexado. Não jogue fora essa documentação.

Por fim, uma dica importante: se você não conseguir pagar o valor total da sua fatura no vencimento, mas tem possibilidade de entrada de dinheiro para até um mês, evite pagar um valor parcial. Isso porque, nesse caso, o saldo remanescente será considerado como ‘contratação de rotativo’, e estará sujeito às taxas mostradas acima. Na liquidação total, mas com atraso, você incorre em multa de 2% sobre o valor da fatura, mais juros de mora de 1% ao mês, pro-rata (proporcional aos dias de atraso). Sai muito mais em conta!

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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