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Uma bomba armada chamada ‘financiamento automotivo’

O resultado da farra dos financiamentos automotivos dos últimos anos começa a produzir seus resultados nos números de usados à venda (muitos deles não por substituição por um modelo mais novo, mas sim visando ‘se livrar da dívida’) e na quantidade de veículos reclamados pelos bancos e financiadoras. Você há de lembrar que a facilidade de obtenção de financiamento no biênio 2010/2011 produziu distorções como a compra de um automóvel 0 km em 60 parcelas mensais, sem entrada. A inadimplência segue subindo.

Para exemplificarmos o mau negócio que foram essas compras, simularemos a aquisição de um veículo médio, adquirido em 60 meses, sem entrada (condição praticamente inexistente atualmente),  juros de 0,99% ao mês, sem considerar demais taxas. O modelo escolhido foi o Ford Focus Hatch:

  • Ford Focus Hatch, GL 1.6, 16V, flex, ano/modelo 2012, valor de aquisição R$ 55.120,00 (fonte: iCarros);
  • Com esses dados, o plano de pagamentos mostra 60 parcelas iguais, mensais e sucessivas de R$ 1.222,77 cada, sendo que o total a ser pago será de R$ 73.366,20.

A depreciação desse nosso veículo, no primeiro ano, é de 19%, conforme sites especializados na internet, e a taxa reduzida é uma armadilha para o bolso do comprador desatento.

Então, se considerarmos a passagem desses primeiros doze meses, teremos a seguinte situação (20% do prazo de pagamento cumprido):

(¹) Saldo de capital

Considerando que a depreciação desse bem em um ano é de 19%, nesse momento o carro valerá, para o mercado, R$ 44.647,20 ao passo que o saldo devedor do comprador é de R$ 46.537,63 (conforme demonstrado acima). O nosso cliente estará devendo mais do que vale o carro e, nesse caso, não poderá nem tomar a atitude extrema nesses casos, que é a entrega do bem pela liquidação do saldo devedor.

Mas por que fazemos isso? O nosso intuito é demonstrar que toda e qualquer decisão econômica deverá ser precedida de estudo, preferencialmente de viabilidade. Afinal, uma situação como essa descrita aqui é demonstração de flagrante prejuízo. E eles não param só no ordenamento das prestações e eventual comparação de valor residual com o de mercado.

As montadoras brasileiras estimam que o uso médio de um carro pelo seu proprietário é de 18.000 kms/ano, ou 1.500 kms/mês. É baseado nisso que são definidas as diversas revisões e manutenções recomendadas pela fábrica. Porém, e se o sujeito não cumprir esse nível de utilização? Novamente ele estará em prejuízo, já que existe uma associação entre quilometragem/tempo para as manutenções gratuitas e revisões periódicas. Não fazendo essa utilização, o proprietário paga por um serviço de reparação de desgaste do seu carro que ainda não ocorreu. E essas são apenas duas das possibilidades de má decisão ou mau uso do bem adquirido. Há muitas outras mais.

 

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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