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Um ano de governo Temer

Na última semana, Michel Temer completou um ano na presidência do Brasil, após o afastamento temporário de Dilma Rousseff. Tem sido um período marcado por decisões polêmicas na política e, principalmente, na economia do país.

1. Durante os discursos na solenidade de um ano do governo Temer, o tom era de fim da recessão e que o Brasil voltava aos trilhos do crescimento. Na sua opinião, é isso mesmo?

Está parecendo ser. Inflação em baixa, Bolsa em alta, estabilização da moeda, retomada da confiança dos empresários. O único indicador que ainda preocupa – e muito – é o desemprego.

2. Das decisões já tomadas pela equipe econômica do atual governo, o que se pode listar como acertos e erros?

Os principais acertos: busca pelo equilíbrio fiscal; nomeação de verdadeiros ‘craques’ para cargos importantes como Henrique Meirelles (Ministro), Ilan Goldfajn (Banco Central), Mansueto Almeida (Secretaria de Acompanhamento Econômico) e Maria Silvia Bastos (BNDES); inflação caindo pela metade em um ano; taxa Selic caindo (o que impacta na redução de juros nos empréstimos e financiamentos).

Talvez o grande erro foi não ter comandado uma Reforma Tributária uma vez que o nosso ordenamento é uma bagunça só.

3. Existe um dado que ainda incomoda muito: número de desempregados. Nesse um ano já são 3 milhões a mais, chegando a quase 14 milhões e meio de brasileiros fora do mercado. Qual a explicação para esse número ainda estar tão elevado? Há perspectiva de queda?

A retomada do emprego é mais demorada que a retomada da confiança nos negócios. Os empresários primeiro precisam ‘sentir’ que o mercado está estabilizado para voltar a contratar. Segundo o ministro Meirelles, esse número do desemprego tende a reduzir a partir do 2º semestre.

4. Ainda estão em discussão pelo Legislativo as tão polêmicas reforma da Previdência e Trabalhistas. Elas são realmente necessárias? O molde em que estão sendo propostas é o ideal?

Seguramente não são as melhores versões de cada uma. A desconfiança é que a reforma trabalhista seja aprovada com menos problemas do que a previdenciária. Esta deve envolver um volume maior de negociações. Ambas são fundamentais para o futuro.

5. O governo Temer tem um ano de gestão pela frente. Do ponto de vista econômico, o que ainda deve ser feito? Há tempo hábil pra isso?

Michel Temer já disse que quer passar para a História como o presidente que proporcionou mudanças profundas no país. É claro que ele sabe que isso, invariavelmente, representa impopularidade. O grande problema é que, apesar do esforço em montar uma base abrangente no Congresso, nem sempre o que o Executivo propõe é aprovado pelo Legislativo. A Reforma Previdenciária é o melhor exemplo disso. O trabalho de convencimento continua.

Um ano é um espaço de tempo em que dá para fazer muita coisa. O ‘x’ da questão aqui será a capacidade do governo em convencer os congressistas a aprovarem algumas medidas difíceis de digerir.

Temer

(Essa matéria foi o tema do quadro ‘O Especialista’, veiculado pela Rádio Brasil Central AM 1.270 de Goiânia, na terça-feira 16/05/2017, a partir das 9:05 h)

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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