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Tarifas bancárias: por que se preocupar com elas?

Reduzir gastos é a primeira alternativa quando o assunto é crise financeira. Uma das opções, nesse caso, pode ser economizar com o banco, ajustando o valor pago nas tarifas bancárias. Mas como fazer, se boa parte dos brasileiros nem conhece o que pode e o que não pode ser cobrado? Preparamos esse roteiro para que você negocie com o seu gerente sem tanta desvantagem.

As tarifas bancárias, incluídas nesse rol as ‘cestas de produtos’, são cobradas sobre os diversos tipos de serviços bancários oferecidos pela instituição financeira. Basicamente elas se constituem em quatro grupos principais (vamos nos ater mais ao primeiro, que é o que interessa para a realidade da maioria dos brasileiros):

1)    Serviços essenciais: são aqueles que não podem ser cobrados. Para as contas-correntes de depósitos à vista, temos:

a)    fornecimento de cartão com a função DÉBITO;

b)    fornecimento de 2ª via de cartão débito, exceto nos casos de perda, roubo, furto, danificação ou outros motivos não imputáveis ao banco;

c)    até quatro saques por mês, em guichês – inclusive com cheques – ou em terminal de auto-atendimento (TAA);

d)    até duas transferências por mês de recursos entre contas da mesma instituição (em guichê, TAA ou internet);

e)    fornecimento de até dois extratos ao mês contendo movimentação dos últimos 30 dias (via guichê ou TAA);

f)     realização de consultas mediante uso da internet;

g)    compensação de cheques (qualquer quantidade);

h)    fornecimento de até 10 folhas de cheques por mês;

i)     prestação de quaisquer serviços por meio eletrônico, quando o contrato preveja utilizar exclusivamente meios eletrônicos.

2)    Serviços prioritários: aqueles relacionados a cadastro, conta de depósitos, transferência de recursos, operações de crédito e arrendamento mercantil, cartão de crédito básico;

3)    Serviços especiais: os que possuem legislação específica para cobrança, como crédito rural, FGTS, Sistema Financeiro da Habitação, PIS/PASEP e contas-salário;

4)    Serviços diferenciados: os que podem ser cobrados desde que explicitadas ao cliente ou ao usuário as condições de utilização e pagamento. Ex.: aditamento de contrato, aval/fiança, alguns serviços de câmbio, etc.

O valor cobrado pela cesta de tarifas poderá variar muito de banco para banco. Porém, os bancos não são livres para cobrar qualquer tarifa. A Resolução CMN nº 3.518, de 2007, disciplina a cobrança de tarifas pelas instituições financeiras. Atenção: naqueles serviços em que é possível cobrar, os bancos são livres para fixar preços. Portanto é preciso muita cautela com alguns produtos, principalmente a ANUIDADE DO CARTÃO DE CRÉDITO (há casos em que a anuidade para um cartão comum chega a R$ 850).

O ideal seria que o cliente, antes de escolher o banco, tivesse conhecimento das suas reais necessidades com relação aos serviços bancários. Ex.: um empresário que faça vendas para todo o país tenderá escolher um banco que possua representatividade no interior, para maior comodidade de seus clientes. Assim, alguém que viaje muito escolherá uma instituição que esteja pulverizada com agências pelo menos nos grandes centros. De posse dessas informações, procurar um banco que lhe satisfaça a um custo viável. Essa escolha funcionaria como uma tomada de preços para a compra de um produto qualquer.

Quanto aos serviços contratados, a opção deve sempre recair sobre aquele pacote que lhe baste evitando, com isso, despesa adicional e desnecessária com produtos que não fará uso. Alguém que não faça viagem ao exterior pagar por um cartão de crédito internacional que permita saques em moeda estrangeira significa uma péssima decisão. Mas cuidado: os gerentes são treinados para lhe convencer que aquele é o produto ideal para a sua necessidade. Economiza-se pesquisando o custo da concorrência e, claro, através de muita negociação.

Dica valiosa: toda e qualquer preferência dada ao banco deverá ser acompanhada de negociação para a redução de tarifas. Afinal, os gerentes cobram essas tarifas desde o momento que você abre sua conta. Quando for aplicar o seu dinheiro no banco, é a sua vez de negociar reduções.

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José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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