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Reserva financeira

O Indicador de Reserva Financeira, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que 65% dos brasileiros não possuem reserva financeira. Em março, 76% dos consumidores não conseguiram poupar, contra 19% que conseguiram guardar dinheiro. Esse será nosso assunto de hoje.

1. Qual a importância de se ter uma reserva financeira?

Inicialmente, importância psicológica. Uma reserva te proporciona tranquilidade quanto a pequenas eventualidades que possam surgir. Além do que ela passa a ser o começo da construção do investimento que, futuramente, poderá ser fundamental como complementação da aposentadoria.

2. Do salário que uma pessoa recebe mensalmente, que porcentagem é indicada que seja poupada?

O ideal seria 10%. Assim, a cada ano – e não considerando o adicional de férias e nem o 13º salário – você teria o equivalente a praticamente 1,5 remuneração mensal investida como reserva.

3. Quais são os principais motivos de uma pessoa não conseguir poupar? Nos últimos tempos, com a crise financeira, isso tem sido ainda mais difícil?

Eu classifico três como os principais motivos: 1º – a falta de cultura financeira, de cuidado com o futuro; 2º – falta de técnica quanto ao processo de poupar; 3º – o nível de renda inferior da maioria dos brasileiros.

Com o arrocho salarial oriundo da crise dos últimos três anos é evidente que fica difícil para quem ganha pouco e tem uma família para dar suporte destinar parte do salário para poupança. As necessidades básicas falam mais alto.

4. Nós já falamos muito aqui no Fala Goiás sobre educação financeira. Ela seria uma das saídas para criar uma nova geração que saiba poupar?

Sem sombra de dúvidas. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realiza regularmente testes de cultura financeira no âmbito do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) para alunos de 15 anos em situações cotidianas envolvendo questões e decisões financeiras. Em 2015 o resultado foi vergonhoso: cinco níveis de conhecimento financeiro são testados. O nível 1 é o mais simples e apura saber reconhecer a finalidade de documentos como uma fatura; o nível 2 é considerado pela OCDE como aquele cujos conhecimentos financeiros são necessários para se integrar à sociedade (ser capaz de enfrentar situações financeiras diárias para poder tomar decisões como reconhecer o montante de um orçamento ou saber, em função do preço, se é melhor comprar tomates por quilo ou caixa). Pois 53% dos alunos brasileiros não conseguiram ultrapassar o nível 1. O resultado brasileiro foi o pior dos 15 países analisados, vindo a seguir o Peru e seguidos de perto pelo Chile e Eslováquia. Na outra ponta, os chineses foram os que se destacaram. Estudantes com melhores performances tem mais chances de saber economizar, de completar o ensino universitário e de encontrar um emprego com melhor qualificação. Somente 3% dos estudantes brasileiros conseguiram alcançar o nível 5.

“Uma cultura financeira básica é uma habilidade essencial na vida. As pessoas tomam decisões financeiras em todas as idades: desde crianças que decidem como gastar a mesada ou adolescentes que entram no mundo do trabalho e jovens adultos que compram uma casa, a pessoas mais velhas que administram economias para sua aposentadoria” destaca o estudo.

5. E no caso dos adultos, como conseguir mudar o hábito de não poupar? É possível?

Difícil. Mas não é impossível. Há cursos, técnicas e profissionais que podem conduzir essas pessoas para um futuro menos cinzento.

6. Para quem quer poupar, quais são as melhores formas, as mais rentáveis? (poupança, tesouro direto…)

Para o brasileiro, a caderneta de poupança ainda é a queridinha, por sua liquidez. Essa decisão vai depender da finalidade da poupança, do tempo necessário para se chegar ao objetivo e até do quanto de risco que o poupador quer correr. À medida que o conhecimento sobre o assunto aumenta, é possível ir sofisticando as formas de poupar e obter um rendimento melhor a mais regular.

 

Reserva financeira

(Essa matéria foi o tema do quadro ‘O Especialista’, veiculado pela Rádio Brasil Central AM 1.270 de Goiânia, na terça-feira 06/06/2017, a partir das 9:05 h)

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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