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Redução das parcelas do financiamento do carro: vale a pena?

A cidade está coalhada de anúncios propondo revisão do financiamento de automóvel, com redução da prestação. O mesmo anúncio informa que “não se trata de revisional”, o que descarta sumariamente a hipótese de discussão judicial, com alto risco de retomada do bem por parte do banco/financeira. Mas não se engane: se você não conhece as particularidades da matemática financeira, pode entrar numa tremenda fria. Demonstraremos o motivo a seguir:

Imaginemos que o recálculo proposto seja referente a uma operação original hipotética de financiamento de automóvel com as seguintes características:

Valor do financiamento: R$ 50.000,00

Prazo do financiamento: 48 meses, sem entrada.

Custo Efetivo Total (CET): 2% ao mês (26,82% ao ano)

Forma de pagamento: 48 parcelas mensais, iguais e sucessivas de R$ 1.630,09.

Total a ser desembolsado: 48 x 1.630,09 = R$ 78.244,32

Agora, suponhamos que o devedor tenha liquidado 24 parcelas e, nesse momento, passe a ter problemas financeiros e necessite renegociar a operação para obter uma parcela menor. Como bem sabemos, isso só é possível se alongarmos o tempo do financiamento. Assim, sua situação momentânea seria esta, após 24 prestações pagas:

Valor desembolsado até aqui: R$ 39.122,20 (exatamente metade do período)

Desmembramento do desembolso:

Em juros: R$ 19.953,63

         Amortização de capital: R$ 19.168,57

Saldo de capital a liquidar: (R$ 50.000,00 – R$ 19.168,57 = R$ 30.831,43)

É nesse momento que os espertalhões passam a levar vantagem: invariavelmente, eles informam ao devedor que o saldo a refinanciar é de R$ 39.122,20 (24 parcelas restantes de R$ 1.630,09 cada). Mas, na verdade, o valor devido naquele momento é de R$ 30.831,43. O motivo: quando tomamos o número de prestações a vencer e multiplicamos pelo valor unitário da parcela, nesse total estão incluídos os juros futuros que, nesse caso, deixam de ser devidos. Vejamos a diferença apurada se, nesse exemplo, o devedor viesse a solicitar refinanciamento nas mesmas bases, porém com um prazo maior – com aumento de 24 meses no prazo – (CET de 2% ao mês):

Na visão da financeira:

Saldo devedor da operação: R$ 39.122,20 (ou R$ 1.630,09 x 24)

Novo prazo acordado: 48 meses

Nova prestação a pagar: R$ 1.275,45

Montante a liquidar: R$ 61.221,60

Na visão correta, excluindo os juros embutidos nas prestações a vencer:

Saldo devedor da operação: R$ 30.831,43 (somente capital)

Novo prazo acordado: 48 meses

Nova prestação a pagar: R$ 1.005,16

Montante a liquidar: R$ 48.247,68

Em suma: prejuízo para o cliente é da ordem de R$ 13 mil. Agora imagine se, no momento do refinanciamento, a taxa aumentasse…

 

 

Automóvel financiado

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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