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Quanto custa ter um carro?

Muita gente não faz as contas, mas ter um automóvel resulta em uma despesa descomunal. E elas vão muito além do gasto com combustível ou pagamento do IPVA. Se o veículo for financiado, então, é encrenca na certa na maioria dos casos.

O Brasil conta com 63,3 milhões de inadimplentes, resultado de maio/18, uma marca histórica. Lembramos que, tecnicamente, ‘inadimplente’ é alguém que possui uma ou mais dívidas com atraso superior a 90 dias. E boa parte desse contingente ressente-se ainda dos financiamentos super facilitados que incutiam na cabeça dos brasileiros que eles podiam ter um carro realizando, assim, um pretenso ‘sonho’. Algumas renegociações depois e essa gente continua pagando dívidas antigas.

Com a vagarosa retomada da atividade econômica e as fábricas com os pátios abarrotados, as concessionárias voltaram a publicar anúncios e muitos planos são oferecidos aos potenciais clientes. Alguns veículos de nível médio para superior são financiados com pequena entrada e prestações ‘sem juros’. Isso ocorre para que o comprador se fixe apenas no custo da prestação mensal, negligenciando todos os demais valores envolvidos com a manutenção de um carro.

Na hora de decidir sobre a compra de um carro novo – ou a troca do usado – é preciso estar ciente (e principalmente seguro) quanto às consequências desse ato. ‘Eu estou em condições de comprar’? ‘Tenho condições de manter um carro’? ‘A aquisição desse automóvel não vai invadir os recursos que seriam destinados a uma outra finalidade nobre?’. O grande problema hoje é a chamada “compra por impulso” – e acredite – esse é um problema que envolve também aquisições de alto preço.

MAS QUANTO CUSTA UM CARRO?

Talvez o que vamos publicar aqui não seja algo muito agradável de ler. O custo inicial – e o maior deles em boa parte dos casos – é a prestação do financiamento. O carro nem saiu ainda da loja e você já tem um belo carnê para cumprir. Depois vem o combustível, multas, manutenção/revisões/reparos, custo com estacionamento, lavagem, o IPVA. Um custo importante e que a maioria das pessoas negligencia é a DEPRECIAÇÃO, ou seja, “a perda do valor de um bem por uso, desgaste ou obsolência”. Aquela diferença que você precisa entregar, junto com seu carro usado, para poder adquirir outro igual, novo.

Fizemos uma simulação da aquisição de um veículo com valor de tabela de R$ 50 mil, sendo que a entrada representaria 50% desse valor. Assim, com os R$ 25 mil pagos imediatamente, o financiamento foi de R$ 25 mil, pela taxa média desse tipo de operação. O resultado é de cair o queixo: o custo desse veículo no primeiro ano, incluídas todas essas despesas citadas acima, somou R$ 24.098. Ou seja: R$ 2.008 mensais! Detalhe: a prestação, nesse caso, ficou em R$ 659 durante 60 meses. Ou seja: ela representa apenas 32,8% do custo total mensal.

Mas o mercado não vive apenas de carros 0 km. Há uma profusão de usados (ou ‘semi-novos’) em muito boas condições sendo oferecidos. E muitos deles a preço tentador. Você pode, também, avaliar se – para o seu padrão de uso do automóvel – não seria mais interessante investir esse valor e passar a usar o transporte por aplicativos. Hoje temos uma série de serviços à disposição como Uber, 99 e Cabify. Para quem faria pouco uso do automóvel, essa pode ser uma solução tentadora.

Automóvel financiado

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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