Notícias

O preço dos combustíveis ao consumidor – I

Não tem sido fácil para o motorista goianiense abastecer. Na última sexta-feira, 3 de maio, o litro do etanol hidratado nas bombas variava entre R$ 3,17 e R$ 3,29, enquanto o preço médio da gasolina flutuava entre R$ R$ 4,67 e R$ 4,87. Mas você sabe como o preço do combustível é formado? Sabe por que o preço cai na refinaria, mas o consumidor não sente a diferença? Nessa primeira matéria analisaremos o aspecto geral dos preços. Numaa próxima coluna vamos tratar da composição específica dos preços dos combustíveis no Brasil, e uma ‘pegadinha’ do governo chamada “substituição tributária”.

Para efeito comparativo, naquela mesma data, na cidade paulista de Jundiaí, os preços estavam assim: etanol R$ 2,99 e gasolina comum R$ 4,39. E há ainda um detalhe importante: entre 26 de abril e 3 de maio o preço do etanol na Petrobras sofreu uma redução de R$ 0,20 por litro. Como esses preços se explicam, uma vez que a base de carregamento da capital está situada em Senador Canedo, aqui ao lado?

É notório que a capital goiana e sua região metropolitana são reconhecidamente área em que supostamente opera um ‘cartel’ que dita o preço final dos combustíveis do consumidor. Isso já foi motivo de ações do Ministério Público Estadual, com parcos resultados práticos. Claro que esse não é o único exemplo que temos no Brasil: ele é muito mais comum do que imaginamos. Empresas de revenda se unem com os revendedores para alinhar os preços, afastando a competição e deixando o consumidor praticamente sem opção de escolha. Portanto, aqui já temos uma primeira explicação para a oscilação absurda dos preços.

Mas quem controla os preços do combustível no Brasil? A Petrobras, como sabemos, detém uma espécie de ‘monopólio branco’ na prospecção e refino de petróleo no país. É ela quem controla o chamado ‘preço de entrega’ no Brasil. Uma de suas subsidiárias, alvo de estudo para privatização – a Petrobras Distribuidora –, é a maior transportadora de derivados do país. O preço dos derivados é determinado pelo conjunto dos custos de prospecção, refino, armazenagem e transporte, adicionado dos tributos (uma parcela importante), e da margem de revenda. Para termos uma ideia, na gasolina os tributos representam, numa média nacional, 44% do preço final do produto (ICMS + Cide, PIS/PASEP e Cofins). Já no diesel essa parcela é de 24%, por motivos estratégicos (vide ameaça de greve dos motoristas autônomos). Esses são dados retirados do site da Petrobras e referem-se a levantamento nacional feito no período compreendido entre 21 e 27 de abril. Portanto, quando se fala em “redução do preço dos combustíveis” precisaríamos, primeiro, combinar com os governos – estadual e federal – uma tarefa que, convenhamos, não será nada fácil dada a precariedade financeira desses agentes.

E por fim, para que você entenda melhor: recentemente, caminhoneiros ventilavam uma nova paralisação, o que levou o presidente Jair Bolsonaro a anunciar que seguraria o aumento do diesel previsto pela companhia. Uma medida inócua e que mancha a imagem do governo. Um governo que se intromete no mercado não é bem-visto pela sociedade e, principalmente, pelos investidores. O problema dos caminhoneiros é outro: há um excesso de oferta de transporte numa época de baixa produção industrial brasileira. Isso desequilibra o mercado de transportes. Como sabemos, quanto mais oferta, menor o preço. Por isso os fretes tiveram que baratear. Assim, a decisão de criar uma ‘tabela nacional de fretes’ mostrou-se um tiro no pé: as grandes empresas já começam a adquirir quantidades absurdas de caminhões para que elas próprias façam o transporte de seus produtos e fujam da obrigatoriedade de pagar um frete completamente fora da realidade. Esse é um dos resultados de os governos brasileiros terem investido muito mais em rodovias do que em ferrovias. Quando você vê na estrada uma carreta-tanque (combinação de caminhão cavalo mecânico simples com um semirreboque de três eixos atrelado) saiba que ela transporta algo próximo de 30 m³ de combustível, ou 30 mil litros. Um vagão-tanque ferroviário transporta 60 m³, o dobro. Com muito mais segurança, menor risco, e com custo de transporte bem inferior. Tanto que as bases de carregamento são construídas à beira de ferrovias: há comboios contendo mais de cinquenta vagões transportando combustíveis em apenas uma viagem (o equivalente a 100 carretas a menos nas estradas brasileiras).

Mas afinal: dá pra reduzir o preço dos combustíveis no país? Lamentavelmente, a resposta que ninguém quer ouvir: NÃO! A necessidade financeira dos governos atrapalha qualquer tipo de discussão para redução dos preços. Portanto, esses só baixarão se cair o preço internacional do petróleo. Simples assim.

Composição dos preços ao consumidor_1 - Petrobras

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *