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Empreendedorismo: pode ser uma solução?

Basta uma rápida conversa com um grupo de pessoas para perceber quantas ideias de negócios brotam da cabeça do brasileiro. Mas como se tornar empreendedor? Por onde começar?

1. Existem dados relacionados a taxa de empreendedores no Brasil? Nosso país ocupa lugar de destaque quando o assunto é empreender?

O SEBRAE desenvolve regularmente estudos monitorando o empreendedorismo no Brasil. Os últimos dados são de 2015: naquele ano, a taxa de empreendedorismo foi de 39,3% (maior índice nos últimos 14 anos). Isso significa que a cada 10 brasileiros adultos, 4 já possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de uma.

Ainda assim, o Brasil tem o segundo pior potencial empreendedor da América Latina. Apenas 50,5% da população brasileira têm potencial para se tornar um futuro empreendedor. Só perdemos para Porto Rico, com 48,1% da população em condições para empreender. Ironicamente, somos o 2º entre os países que mais aceitam o empreendedorismo como opção válida de vida: 75,8% vê esse caminho com bons olhos. Apenas a Guatemala supera o Brasil nesse quesito (78,7%).

2. Muitos brasileiros têm diversas ideias e acabam abrindo micro e pequenas empresas. Qual a importância desse segmento para o comércio de uma região e para a economia brasileira?

Em 2014 havia 9 milhões de micro e pequenas empresas no Brasil. Em 2011 a FGV calculou em 27% a participação dos pequenos negócios no PIB brasileiro. No comércio elas representam 53,4% do PIB desse setor; 22,5% na indústria e em Serviços, 36,3%. (SEBRAE).

Esse setor é fundamental tanto na contratação de mão de obra quanto na geração de tributos. É também importantíssimo na pulverização dos bens e serviços brasileiros.

Um fator importante é a taxa de mortalidade das empresas brasileiras: ela era de 23,4% para empresas com até dois anos (2012).

Mortalidade das empresas

3. Nós passamos por um período turbulento na economia. Como ficou a vontade do brasileiro de empreender nesse período? As perspectivas para o futuro são boas?

As micro e pequenas empresas, assim como os empreendedores individuais, sofrem da carência de linhas de crédito específicas para poderem botar suas ideias para funcionar. A vontade de empreender parece ser algo natural para os brasileiros: as dificuldades começam na burocracia. Mas sempre será uma boa alternativa para quem tem coragem e possui conhecimento sobre alguma atividade. A vontade dos brasileiros em ter um negócio próprio não arrefece, e as perspectivas para o futuro são, sim, boas.

4. Um empreendedor precisa ter certas características ou qualquer pessoa é um empreendedor em potencial?

Antigamente se imaginava que para ser empreendedor era preciso ter “queda”, características marcantes para isso. Hoje se sabe que não é bem assim: muita coisa pode ser aprendida e, com treino e estudo, praticamente qualquer um pode ter seu negócio próprio.

5. O que mais tem motivado o brasileiro a empreender?

A busca pela independência financeira e a melhora na qualidade de vida são as principais razões que levam os jovens a empreender no Brasil, apesar de 64,8% deles serem novatos no segmento que escolheram.

6. Apesar da vontade de muitos brasileiros, empreender no nosso país exige alto nível de dedicação? Que tipos de dificuldades um empreendedor pode enfrentar pelo caminho?

Talvez as duas maiores dificuldades sejam a falta de informação/estudo e o ambiente pouco favorável para financiar a instalação do negócio. Também é preciso entender que existe uma diferença monumental entre você ser empregado e gozar de uma certa garantia (inclusive com relação a direitos trabalhistas) e se tornar um empreendedor, onde o seu capital investido estará permanentemente em jogo, assumindo às vezes riscos altíssimos. Não é um ambiente para quem não tem sangue frio.

7. Como dissemos no começo, a cabeça do brasileiro é extremamente fértil e cheia de ideias de negócios. Mas por onde começar?

O início é sempre a ideia de negócio: O QUE EU VOU FAZER? Isso envolve uma série de variáveis, como ‘eu gosto disso’ ou até ‘precisarei de sócio(s)’? Depois vem a etapa de testar a ideia, através de pesquisa de mercado e da confecção de um Plano de Negócios. Essa fase vai nos dizer o quanto de capital financeiro e humano precisaremos para tirar a ideia do papel. Por fim, muita motivação, aprimoramento e jogo de cintura para driblar as principais dificuldades ao abrir o negócio e também aquelas do dia a dia.

SE VOCÊ VAI EMPREENDER, UMA BOA DICA É FAZER ALGO DIFERENTE DA CONCORRÊNCIA. DO CONTRÁRIO, VOCÊ SERÁ APENAS MAIS UM EM UM MERCADO ALTAMENTE COMPETITIVO.

8. O empreendedorismo é algo que pode ser instigado/ensinado para as crianças desde cedo, nas escolas? O país ganharia com isso?

Sim, perfeitamente. O empreendedorismo poderia ser uma matéria curricular na escola como Matemática ou História. Isso ensinaria nossas crianças a pensar de forma diferente daquela que lhes é imposta atualmente. E também, na universidade, proporcionaria um aumento potencial de novas empresas, com encorajamento de pessoas que, hoje, se sentem inseguras para tentar abrir seu próprio negócio.

 

Empreendedorismo_1

(Essa matéria foi o tema do quadro ‘O Especialista’, veiculado pela Rádio Brasil Central AM 1.270 de Goiânia, nas terças-feiras 13/06/2017 e 20/06/2017, a partir das 9:05 h)

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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