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Cuidado com as ofertas mirabolantes

Circulam nas rádios de Goiânia – e provavelmente por todo Brasil – as propostas de negócios mais mirabolantes. Com uma eventual retomada econômica logo ali adiante, é preciso começar a provocar o distinto público. Algumas ofertas trazem “pegadinhas” que, num primeiro momento, podem fazer qualquer um se interessar. Mas cuidado. Nem tudo parece ser como a gente pensa.

É o caso do anúncio de uma concessionária de automóveis em Goiânia. Preços especiais, vantagens para o comprador e aquela que parece seduzir os menos avisados: “você paga a primeira parcela somente daqui 90 dias”. Parece ótimo, não é? Então, vamos analisar isso mais a fundo.

Fizemos uma simulação para aquisição hipotética de um automóvel que custe por volta de R$ 94 mil (mais ou menos a cotação daquele anunciado). O cliente dá de entrada o equivalente a 20% do preço de tabela, e financia o resto. Teremos duas opções: ou financiamos da forma convencional, iniciando os pagamentos já no primeiro mês posterior à compra, ou “aproveitamos” a chance de pagar a primeira parcela somente daqui 90 dias, conforme anunciado. O resultado é este:

Cuidado com as ofertas mirabolantes

 

Veja que a compra, no formato que oferece uma carência de 90 dias, se torna mais cara. O comprador desembolsará a mais 2,1% do custo final do veículo para liquidar a operação. Também comparando as prestações essa ‘vantagem’ se dissolve: optando por mais conforto no início da série de pagamentos, o comprador vê sua parcela majorar em 9,4% durante o prazo do financiamento. Assim, aquele que opta pela carência inicial desembolsa mais no total: o mesmo veículo lhe custará R$ 2.671 mais caro. Você pode perguntar: “mas por quê isso”? A resposta: porque nos três primeiros meses que você não paga prestação nenhuma, os juros permanecem ‘correndo’ sobre o valor total do financiamento, acumulando. E também porque como a operação é de 48 meses e a concessionária está lhe dando 3 meses de carência, você pagará as contraprestações durante os 45 meses restantes, e não 48 como seria normalmente.

Portanto, tenha cuidado. Não se deixe seduzir pelas ofertas ‘confortáveis’ do varejo. Normalmente elas embutem um custo significativo. Tenha sempre em mente a máxima: “não existe almoço grátis”.

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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