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O consumismo infantil, e o conceito de “consumo consciente”

O conteúdo a seguir fez parte do programa levado ao ar junto à Rádio Brasil Central AM, de Goiânia, em 29/03/2011:

Não é difícil hoje em dia nos depararmos com crianças que ostentam celulares caros, roupas e tênis de grife, agindo tipicamente como adultos. Nossos filhos são alvos fáceis para departamentos de marketing e agências de publicidade. Justamente pelo fato de não possuírem capacidade de discernir, a elas convergem a maioria das ações mercadológicas da atualidade. Para o mercado, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa influência no consumo adulto.

1 – Poderíamos conscientizar nossas crianças, fazer com que elas construíssem um filtro crítico para essas situações de bombardeio de mensagens subliminares e astúcias mercadológicas?

Sim. E o exemplo dos pais, primeiramente, é a melhor ferramenta para isso. Uma família equilibrada, consciente, estável é a base de tudo. Não sobra espaço para exigências esdrúxulas, nem vontade de copiar os outros. O consumismo moderno está calcado naquilo que chamamos de “ir na onda” ou, mais cientificamente, “efeito manada”.

2 – Fale mais sobre o conceito de consumo consciente e de como os psicólogos sugerem que se faça a implantação desta idéia no cotidiano da criança.

Formalmente, consumo consciente é “transformar o ato de consumo em uma prática permanente de cidadania”. Ou seja, extrapola o atendimento de necessidades individuais, levando em conta também os reflexos na sociedade, economia e meio-ambiente. Alguns exemplos: a aquisição de produtos que utilizam trabalho escravo, utilização de mão-de-obra infantil e uso massivo de agrotóxicos são formas de compras não voltadas ao consumo consciente.

A implantação dessa idéia se dá, basicamente, através de informação, muita informação. Lembremos que o poder de transformação social está na mão dos consumidores.

O Instituto Akatu publicou uma cartilha muito interessante, com os 12 princípios do consumo consciente:

  1. Planeje suas compras. Compre menos, e melhor;
  2. Avalie os impactos do seu consumo no meio-ambiente e na sociedade;
  3. Consuma só o necessário. Tente viver com menos;
  4. Reutilize produtos. Não compre novamente o que você pode consertar ou transformar;
  5. Separe seu lixo. Reciclar ajuda a economizar recursos naturais e a gerar empregos;
  6. Use crédito com responsabilidade. Pense antes se você poderá pagar as prestações;
  7. Informe-se e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas;
  8. Não compre produtos piratas. Assim você ajuda a gerar empregos e combater o crime organizado;
  9. Contribua para a melhoria dos produtos e serviços. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas;
  10. Divulgue o consumo consciente;
  11. Cobre dos políticos;
  12. Reflita sobre seus valores. Avalie os princípios que guiam suas escolhas e hábitos de consumo.

3 – Ensinar as crianças a poupar pode ser uma forma de fazer com que elas aprendam a se esforçar, a esperar o tempo certo de comprar e a ter consciência do que consomem?

Sim. É sabido que o melhor conselho ou ensinamento é o exemplo. Então, com pais responsáveis e conscientes uma criança tem grande chance de se tornar um cidadão na perfeita acepção da palavra.

4 – Quais outras técnicas podem ser usadas para conscientizar as crianças quanto ao consumo?

Como já referimos anteriormente, o básico de tudo é muita informação. E informação transparente. Crianças precisam de limites. Mas elas também querem saber o “porquê” de não poderem levar o brinquedo ou não ser possível ganhar o presente que tanto desejam. A partir de uma determinada idade elas já podem ser apresentadas ao contato com o dinheiro, e o que envolve as decisões de poupança e de consumo. Cofrinhos, porquinhos, ou sistemas de remuneração por serviços prestados são aconselhados. Mas ela não pode fazer disso um comércio: há tarefas que a criança precisa executar sem remuneração. Isso, seguramente, a tornará um adulto equilibrado.

5 – A educação financeira é tida como uma excelente arma no combate a este tipo de problema. Como e quando ela deve surgir na vida criança?

Desde a mais tenra idade a criança já pode ser inserida no aprendizado dos princípios de finanças e consumo consciente. “Jogo aberto”, diálogo, levar uma vida compatível com sua condição econômico/financeira, incentivo à poupança, estímulo e orientação segura para gastar o seu dinheiro poupado, finalidade da poupança, etc.

6 – Mas a propaganda é mesmo o vilão da história?

A propaganda é o meio. Ela não faz nada sozinha. Ela instiga, incentiva, mexe até com os brios do consumidor. Cabe a ele saber se vai cair nesse “canto da sereia” ou não. O consumidor é quem sabe o quanto custa o seu rico dinheirinho. Se ele for responsável, consciente, equilibrado, certamente não terá problemas na relação com seu dinheiro.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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