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Artigo: Como conduzir (bem) o seu filho nas questões financeiras

Um apanhado de matérias e artigos originou esse texto. Ele tenta demonstrar de que forma os pais podem se comportar quanto à preocupação com os filhos frente aos problemas econômicos/financeiros. Ensinar o valor do dinheiro (e, principalmente, suas características, finalidades e ‘malandragens’) requer cuidado, conhecimento e perseverança. Pais que não tem visão de futuro, ou que fazem as vontades dos pequenos aos primeiros sinais de choro ou aborrecimento, estão fadados a sucumbir juntamente no processo.

Especialistas, educadores financeiros, pedagogos, professores, psicólogos e uma gama de profissionais debruçam-se sobre a equação: “como ensinar o valor e a finalidade do dinheiro às crianças sem despertar nelas precocemente instintos competitivos, risco de avareza e desvio de comportamento na infância?” Parece que, se o processo iniciar em casa, em família, a chance de produzir bons resultados é maior. Mas, para isso, é preciso pais compreensivos, mas firmes. Algumas recomendações:

  1. Quem ensina precisa saber: parece óbvio, mas quem se propõe a ensinar outrem precisa ter o domínio do assunto que vai abordar. Casais pródigos, esbanjadores, já começam mal, pois não possuem o conhecimento técnico das regras do dinheiro. Nesse caso, a melhor saída é tentarem os próprios pais, num primeiro momento, aprender algo a respeito. Na impossibilidade, contratar um profissional para mapear uma forma de projetar e tentar garantir boa parte do futuro do(s) filho(s);
  2. Não faça TODAS as vontades do seu filho: por certo, se você voltar no tempo, lembrará que não foi criado da forma atual: havia limitações as mais diversas. Desde as orçamentárias, já que grande parte das famílias de hoje se originaram atravessando turbulências como problemas políticos, inflação e desemprego, até as comportamentais. Os pais não devem eliminar de seus filhos o desejo por algo. Se a criança ganhar tudo o que quiser, alimenta o sentimento de que tem direito a tudo, sempre. Como diz Cássia D’Aquino, especialista em educação financeira para crianças, “é o desejo que faz as pessoas levantarem todos os dias e irem em busca da realização dos sonhos. Um filho que não precisa de nada pode e vai ficar em casa a tarde toda assistindo televisão. A falta de desejo é a falta de vida”;
  3. Evite criar uma pessoa ansiosa: os filhos precisam aprender a esperar. À medida que crescem, as crianças toleram melhor a espera. Quanto mais novas, mais impacientes. É nessa fase que os pais podem começar a ensinar que a recompensa àqueles que são  pacientes é maior. Isso será fundamental quando seus filhos começarem a pensar na complementação da sua aposentadoria, ou numa reserva financeira para a velhice. Esse quadro de que a juventude não é eterna deve ser mostrado regularmente aos mais jovens;
  4. Jamais ceda a pressões: a cena é clássica: a criança se joga ao chão, no supermercado ou na loja de departamentos, e grita desatinadamente a fim de forçar os pais a lhe comprar algo que ela quer muito. Não se intimide. Demonstre firmeza, explique a situação, diga-lhe que não ganhará nada se continuar se comportando daquela maneira, MAS NÃO CEDA. Educar os filhos é muito diferente de lhes fazer todas as vontades;
  5. Evite remunerar seu filho por qualquer coisa: é sabido que as crianças com pouca idade sentem mais falta da atenção dos pais do que de dinheiro. Baseado nisso, procure atender aos seus pedidos de ajudar em alguma tarefa doméstica. Permita, desde que com segurança. Não ofereça de imediato pagamento por esses pequenos trabalhos. Elas aprenderão a auxiliar com satisfação, desvinculando isso do pagamento em dinheiro. À medida em que a idade vai subindo, procure associar os pedidos supérfluos (troca de videogame, de celular) à prestação de serviços domésticos ou tarefas elementares (como arrumar a cama, organizar o próprio quarto, etc.), que lhes renderão uma certa remuneração. É uma forma lúdica de ensinar que “dinheiro não cai do céu” mas que, com um pouco de esforço, é fácil conseguir o que se quer;
  6. Jamais entre em competição com os pais dos amigos: lembre-se que o consumismo é um comportamento que pode se iniciar precocemente. Basta, para isso, que as condições necessárias estejam presentes. Portanto, nem sonhe em entrar em disputa com pais de coleguinhas ou amiguinhos. Um smartphone na mão de uma criança de cinco anos é tão despropositado quanto uma festa de aniversário de R$ 50 mil. Mesmo que os pais tenham condições financeiras para proporcionar isso. Atendendo a todas as suas demandas ou, pior, a todos os seus caprichos, os pais tendem a criar um consumista contumaz;
  7. Mesada é uma ótima ferramenta didática, quando bem aplicada: a mesada tem como finalidade ensinar a criança a entender e desenvolver a noção de valor do dinheiro. Com um valor determinado, a criança tentará tirar o melhor proveito daquela quantia. A partir dos oito anos os pequenos já poderão ser apresentados a um certo valor (não mais do que 2 x a sua idade, ao mês), pago semanalmente. Quando atingir os 12 anos, o valor poderá ser pago mensalmente, para que então cresça a sua percepção da relação dinheiro x tempo. A mesada não deve ter conotação de premiação, e sim didática. Vincular seu pagamento a bom comportamento é uma atitude condenada por vários profissionais e especialistas. Como a mesada não é obrigação, o pai tem o direito de saber onde ela está sendo gasta, assim como o dever de ensinar seu melhor uso;
  8. Nem tente fazer com que a criança faça algo totalmente diferente dos pais. Não vai funcionar: Pais perdulários, gastadores, endividados passam qual tipo de exemplo para os filhos? Os pais são a principal referência dos filhos (seja psicológica, seja profissional ou cultural). Um dos trabalhos mais difíceis é fazer uma criança pensar diferentemente daquilo que vivencia diariamente em casa. Por isso, faço referência novamente ao item 1 dessa matéria: quem ensina precisa saber. Não sendo assim, a chance é mínima de sucesso. Se você é uma pessoa bem-sucedida e pode proporcionar conforto e facilidades ao seu filho, ótimo. Mas explique a ele o quanto isso custou em termos de tempo de estudo, trabalho e, principalmente, economia. É a melhor aula que ele pode receber.

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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