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Banco Central libera nova regra para o cheque especial

O Banco Central do Brasil acaba de anunciar alteração nas regras para utilização do limite do cheque especial. Atualmente essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado financeiro e, justamente por isso, é importante ficarmos atentos às mudanças.

O QUE É O CHEQUE ESPECIAL

O ‘cheque especial’ é uma linha de crédito disponibilizada pelo banco, vinculada à conta-corrente, para utilização imediata e sem a necessidade de justificar a finalidade de sua utilização. Trata-se de um empréstimo pré-aprovado (um empréstimo é um contrato entre um cliente e uma instituição financeira cujos recursos obtidos não têm uma destinação específica).

Seu funcionamento é bem simples: sempre que você sacar ‘a descoberto’ – ou seja, além dos recursos próprios que você dispõe na sua conta – você estará utilizando o cheque-especial. É claro que, nesses casos, haverá a cobrança de juros, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e, eventualmente, taxas adicionais. E é aí que mora o perigo.

AS MUDANÇAS ANUNCIADAS

A partir do dia 1º de julho próximo, o correntista que fizer uso de mais de 15% do seu limite de cheque especial por 30 dias consecutivos será contatado pelo banco, que proporá a transferência desse saldo devedor para uma linha de crédito ‘mais barata’. É um procedimento bem semelhante ao que já vem acontecendo no rotativo do cartão de crédito. O cliente não será obrigado a aceitar a proposta do banco; nesse caso, seu saldo devedor seguirá sofrendo a incidência dos juros originais da operação. A intenção do Banco Central e da autoridade monetária com essa medida é minimizar os danos provocados pela utilização desse tipo de recursos. Lembramos que o rotativo de cartão de crédito, juntamente com o cheque especial e o crediário de lojas, são os produtos financeiros que detêm atualmente as taxas de juros mais altas no mercado brasileiro.

POR QUE O CHEQUE ESPECIAL POSSUI JUROS TÃO CAROS

Basicamente porque existe uma demanda muito grande desse tipo de recurso por parte dos brasileiros. É a velha e boa ‘lei da oferta e da procura’. Os brasileiros não possuem o hábito de controlar as suas finanças e, por isso, passam a utilizar esses mecanismos que incluem taxas estratosféricas sem analisar seus efeitos. Para piorar, boa parte da população vê essas ‘facilidades’ oferecidas pelos bancos como uma extensão, um complemento da sua renda. Um descuido e seu orçamento familiar pode virar pó.

Tomando por base o levantamento (vide quadro), vamos simular uma situação hipotética em que alguém mantenha um saldo devedor de R$ 1.500 durante um ano, utilizando as diversas opções de crédito:

  • No Crédito Pessoal (Não Consignado), a dívida – após um ano – será de R$ 2.598,90
  • No Rotativo do Cartão de Crédito, esses mesmos R$ 1.500 se transformariam em R$ 5.305,05
  • No Cheque Especial, seria de R$ 6.090,90
  • Num Cartão de Loja, essa pessoa que começou devendo R$ 1.500 teria que pagar absurdos R$ 14.628,75

Juros Praticados Pessoa Física

Mas você pode minimizar o risco respeitando algumas atitudes básicas. Muitas delas não são de conhecimento da população:

  1. Você não é obrigado a aceitar uma conta com limite de cheque especial;
  2. Você pode exigir um limite menor que aquele que está sendo oferecido pelo banco;
  3. Se você é uma pessoa controlada, pouco ou nenhum impacto sofrerá com um limite cheque especial acima das suas possibilidades;
  4. Só utilize o cheque especial se isso for realmente necessário;
  5. Jamais use o cheque especial como complemento do fluxo de caixa da sua empresa. Por se tratar de uma linha de crédito caríssima, esse custo financeiro irá impactar no preço do seu produto ou serviço, e ele poderá se tornar inviável perante a concorrência.

 

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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