Notícias

Ajuste de contas: por que ele é importante

Diferente do que os governos estaduais e federal têm feito, o cidadão parece ter feito a lição de casa e ajustado as contas para passar pela crise financeira da melhor forma possível.

1.      Os brasileiros têm realmente feito a tarefa de casa e conseguido “se virar”? Que sinais mostram isso?

Sim, os números são animadores. Houve algum esforço dos endividados, mas há também fatos ocorrendo que forçam as pessoas a se ajustarem: 14 milhões de desempregados, mais de 50 milhões de CPFs negativados e, nesse início de ano, a decisão dos bancos em cortar o cartão de crédito dos clientes com renda mais baixa. Só o Banco do Brasil e o Itaú-Unibanco retiraram de circulação mais de 1,2 milhões de cartões de clientes. Um dos fatores fundamentais para essa melhora de cenário foi a liberação do FGTS das contas inativas.

2. A fórmula/saída para esses períodos de crise passa pelo que sempre mencionamos aqui no programa: antes de mais nada, é preciso saber quanto se ganha para planejar o quanto se pode gastar?

Exatamente. É preciso se conhecer. Tomo como base o meu trabalho: o primeiro passo é tirar um ‘instantâneo’, uma foto da situação real do cliente naquele momento. É a partir dessa imagem que as estratégias serão traçadas e o rol de decisões a serem tomadas começa a tomar forma. Sem isso, o risco de não se conseguir o objetivo almejado é muito grande.

Se você não pode medir, não consegue gerenciar”. (Peter Drucker, austríaco escritor, professor e consultor, considerado o pai da Administração moderna).

3. Essa reorganização requer um esforço de todos os integrantes da família. O quanto é importante as famílias falarem sobre finanças?

Quando se quer resultados nessa área, é fundamental a participação de TODOS os integrantes da família. Tudo deve ficar às claras, sem dúvidas e nem privilégios. O esforço será conjunto e os resultados, também.

Decidir conjuntamente sobre finanças, para um conjunto de leigos, é muito mais produtivo. Antigamente era tabu falar de sexo. Por incrível que pareça, falar do seu dinheiro atualmente é comparável ao assunto sexo de antigamente: as pessoas têm resistência.

4. O brasileiro tem a fama de gastador/compulsivo. Você acha que assim que ele tiver chances, voltará a não prestar atenção nas finanças e se endividar? Quais os riscos disso?

O brasileiro, no geral, é desorganizado e desinformado. A desorganização se dá justamente pelo não entendimento das particularidades relacionadas à área financeira. Ex.: se eu informo que existe uma cobrança de juros de 5% ao mês, eu estou falando em taxa NOMINAL. A taxa REAL, em um ano, não será 60% (12 x 5) mas sim 79,58% em função do mecanismo dos juros compostos. E isso faz toda diferença na análise de gastos, investimentos ou até de limite de endividamento. Há, também, o fato de não sabermos esperar: todos querem as coisas “pra ontem” e, no meio financeiro, isso tem um custo. Por vezes, altíssimo. Aí estão os rotativos do cartão de crédito para confirmar.

O risco desse descuido, dessa perda de foco, é o retorno a níveis elevados de endividamento.

5. Temos passado por um período conturbado na política, o que parece que vai impedir as reformas que o governo federal julga necessárias. Economicamente, quais são as perspectivas? Sairemos dessa crise?

Sempre saímos. A verdade é que nós, a população, “viajamos de carona” nas decisões governamentais. É preciso entender que ao governo não interessa matar a sua galinha dos ovos de ouro, os contribuintes. Mas isso também não nos autoriza a vivermos permanentemente alienados do que está acontecendo: afinal, essas decisões mexem é com o nosso bolso. E se não formos nós a defender o nosso dinheiro, quem o fará. Por isso a importância das pessoas se instruírem, passarem a ler sobre economia e finanças, e procurarem tirar suas dúvidas a respeito daquilo que não entenderem.

Quanto às perspectivas, eu sou um otimista: sempre é mais difícil deixar pior do que já está. Esse movimento todo sinaliza que os brasileiros estão cansados de pagar a conta. Pode ser que a melhora demore um pouquinho mais em função dos problemas políticos que o governo enfrenta, mas elas virão, com certeza.

Ajuste de contas

(Essa matéria foi o tema do quadro ‘O Especialista’, veiculado pela Rádio Brasil Central AM 1.270 de Goiânia, na terça-feira 27/06/2017, a partir das 9:05 h)

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *