Notícias

A situação dos formais e informais durante a pandemia

Para cada trabalhador com carteira assinada que ficou desempregado, dois informais ficaram sem trabalhar entre o trimestre encerrado em fevereiro e os três meses até maio, segundo cálculos do professor Hélio Zylberstajn, com base nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Zylberstajn é professor sênior do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo.

Mas a tragédia propriamente dita não está entre os empregados formais. É certo que o número de ocupados caiu com esse episódio. Mas são os informais que preocupam, numa razão de 2 por 1 (dois informais sem renda para cada trabalhador com carteira que perdeu o emprego). Para esses pouco o governo pode fazer.

O governo federal editou medidas provisórias na tentativa de impactar o mínimo possível a empregabilidade. Essas ações ajudaram a manter os empregos no Brasil e a situação não ser ainda pior. Para Zylberstajn, a edição da MP 936 foi fundamental para que esses números não se tornassem trágicos. Redução da jornada de trabalho, redução de salários e suspensão dos contratos – quando cabível – contribuíram para manter os empregos.

O grande problema passou a ser os trabalhadores informais. No período entre MAR e MAI de 2020 havia 53,64 milhões de trabalhadores formais contra 40,98 milhões de informais. Desde o início da pandemia houve queda de 3,6% no número de trabalhadores com carteira assinada, ao passo que os informais viram seu nível cair 8,8%. Os dados são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE).

Apesar de manter o emprego, a medida provisória que autorizou a redução de jornada de trabalho acaba tendo como consequência a diminuição de renda dos trabalhadores, o que interfere também na inadimplência. Quase 4% das famílias informaram que atrasaram algum tipo de pagamento, ao passo que 9,1% ficaram inadimplentes pela perda do emprego. Esse pode ser um complicador para uma eventual retomada em 2021. Quanto maior o número de endividados, menor é o nível de consumo da população.

Empregados formais e informais com renda corroída. Desemprego. Crise econômica em razão da pandemia. Como é que vamos sair desse momento? Bem, o básico será saber quando poderemos voltar a falar em “retomada”. No momento, o governo trata de apagar incêndios. E nem pode projetar o futuro para um horizonte muito distante porque não sabemos o quanto ainda teremos que conviver com essas limitações. É notório que a arrecadação caiu, em qualquer nível – federal, estaduais, municipais – e essa tendência deverá se manter ainda por algum período mesmo após a restauração das condições que tínhamos antes da pandemia.

desemprego

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *