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A redução da Selic e seus impactos

O atual ciclo de queda da Selic, que foi reduzida pela oitava vez seguida, começou em julho de 2019. De lá pra cá a taxa caiu de 6,5% para os atuais 2,25%, o menor nível da história. Um tombo brutal de 65%. Mas o que isso significa para nós, consumidores? Qual a influência disso no nosso bolso?

 

Vamos, então, primeiramente entender o que significa a Selic: trata-se da taxa de juros equivalente à referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – daí vem a sigla – um local totalmente virtual onde os títulos do Tesouro Nacional são comprados e vendidos diariamente por instituições financeiras. Além do Banco Central do Brasil, apenas instituições financeiras tem autorização para negociar esses títulos nesse ambiente. Ou seja, pessoas comuns não tem acesso. Nós podemos adquirir, sim, títulos do Tesouro Nacional, mas apenas via corretoras credenciadas. A Selic é a taxa básica de juros da economia. Portanto, ela influencia todas as demais taxas de juros no Brasil.

A Selic é vital para nossa política econômica. Sempre que ouvimos falar em alta ou queda dessa taxa, você pode saber: nosso bolso será impactado. Ela baliza todos os demais juros da economia brasileira. Quando ela se eleva – o que pode ocorrer por vários motivos – o custo do dinheiro (empréstimos e financiamentos) fica mais caro. Na redução ocorre o contrário.

O governo utiliza a Selic como ferramenta de controle monetário. Um exemplo: se o mercado se desorganiza e a demanda por produtos e serviços se eleva, o governo trata de aumentar a Selic justamente para encarecer o crédito e desestimular o consumo. Assim, alguém que iria adquirir alguma coisa opta por botar aquele dinheiro numa aplicação financeira, por exemplo, recebendo juros (remuneração) pelo seu investimento. Com a elevação do custo do crédito os preços sobem, o que desestimula o consumo.

Ao balizar os juros dos empréstimos (ou financiamentos) que serão tomados pelos varejistas, a Selic passa a interferir diretamente na nossa vida financeira. O mesmo acontece com os investimentos que temos em algum banco. A relação é direta (ou assim deveria ser): aumentou a Selic, preços sobem, assim como remuneração recebida por aplicações financeiras também.

Mas por que a Selic no patamar mais baixo da história não faz os juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito reduzirem? Aqui temos uma controvérsia: os bancos dizem, e com razão, que a Selic é apenas UM dos componentes do custo do dinheiro. Mesmo que ela oscile, os outros podem ficar no mesmo patamar – ou até subir – o que impactaria pouco no resultado final e faz com que o consumidor se sinta enganado por não sentir essa redução na ponta. Imagine a composição do custo dos empréstimos sendo compara com a construção de um automóvel. Um carro tem sua carroceria feita de aço estampado. Quando o preço desse insumo sobe, ele não vai impactar na mesma proporção o preço final do veículo, uma vez que este é composto também de borracha, vidros, eletrônicos, tecido, plástico, etc. Esse mesmo princípio serve para entender o motivo de a redução da Selic não ter sido sentida com a mesma intensidade da sua queda nas taxas operadas pelo sistema financeiro.

Selic

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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