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A previdência privada é um bom negócio?

O efeito das alterações provocadas pela Reforma da Previdência e a taxa de juros básica do país na mínima histórica podem vir a reduzir em até 15% a renda total esperada de aposentadoria para quem aplica em um plano de previdência privado. É o que aponta um estudo da Consultoria Mercer.

O motivo é até simples: quando você opta por um plano de previdência privado passa uma espécie de procuração para a seguradora investir o seu dinheiro em determinado tipo de fundo de investimento. Com a queda da inflação e também dos juros básicos, a rentabilidade das aplicações financeiras também diminuiu. Como o ganho cai, para o segurado manter a sua projeção de total de resgate ao final do período será preciso que aumente suas contribuições. Ou que se exponha mais ao risco. Isso envolveria optar, se possível, por um fundo que ofereça mais risco atrelado a um maior potencial de ganho, por exemplo. E então surge o grande dilema: quanto maior o risco, maior também a chance de perda (prejuízo).

Após a Reforma da Previdência foi detectado um aumento na procura por previdência privada. O brasileiro começa a entender que não pode confiar seu bem-estar na velhice a uma aposentadoria que será paga por um sistema cujo orçamento é sempre negativo. Isso é um risco descomunal. Temos acompanhado, no decorrer das últimas décadas, uma queda vertiginosa no valor dos prêmios pagos com o consequente achatamento da renda dos segurados.

Apesar de a previdência privada estar longe de ser um bom negócio – e demonstraremos isso a seguir – qualquer pessoa pode investir no seu futuro. Aliás, seria salutar que todos reservassem uma parte da sua renda para acumular reserva para a velhice. E quanto mais cedo começarem os depósitos, menores os riscos envolvidos. Isso porque ainda haverá um bom tempo para tentar reverter algum eventual revés sofrido. Também serão maiores as probabilidades de se alcançar o objetivo definido.

Sinceramente, a única vantagem que vejo no sistema de previdência privada brasileiro é a comodidade: você autoriza uma transferência mensal da sua conta para compor seus depósitos, e fica sossegado. Porém, isso envolve custos.

Por outro lado, há a grande desvantagem de você ficar engessado em uma determinada seguradora ou tipo de plano. O que estamos vendo agora é que há uma série de brasileiros que constituem seu próprio “fundo”, aplicando seus recursos em títulos e ações na Bolsa. A mobilidade e a rapidez para trocar de posições é uma grande vantagem. Outra é a possibilidade de poder sacar a qualquer momento diante de uma dificuldade, algo que a previdência privada não permite na maioria dos casos.

Por fim, aquele que possui parcos conhecimentos sobre finanças e conjuntura econômica consegue, sem muito esforço, produzir um resultado melhor administrando seu próprio dinheiro. Livre de taxas e tarifas que comprometem o resultado esperado.

Abaixo fazemos uma demonstração comparativa: tomamos uma pessoa que queira investir R$ 1 mil mensais para reforçar sua aposentadoria, com acumulação de 30 anos (360 meses). A taxa de rentabilidade foi fixada em 2,5% ao ano para ambos os casos. No primeiro exemplo, sem taxação, a própria pessoa administra a gestão dos seus recursos. No segundo, temos alguém que contrata uma previdência privada com taxa de carregamento de 10% e de administração de 5% (esta cobrada ao final do período de acumulação). O resultado fala por si só.

 

Simulação previdência privada

 

 

 

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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