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A antecipação do 13° salário dos aposentados

Ainda há uma expectativa dos aposentados em relação à antecipação da primeira parcela do 13º salário. Se esse adiantamento for mesmo confirmado, é preciso cautela ao decidir para onde destinar esse dinheiro.

1.   Ainda não houve essa confirmação por parte do governo federal e alguns aposentados estão preocupados com isso. Na sua opinião, o presidente Michel Temer vai arranhar ainda mais sua imagem não antecipando essa primeira parcela?

Eu acredito que não, não vai arranhar. O problema aqui nem é de ‘querer’ ou ‘não querer’: é de Caixa. O governo terá que fazer malabarismos para antecipar essa parcela, visto que o cofre está combalido. Mas como houve farta distribuição de verbas para os parlamentares que votaram pela inadmissibilidade da investigação contra o presidente, é claro que Temer terá que tirar esse dinheiro de algum lugar. Senão, a bronca será grande. A promessa é que esse dinheiro seja disponibilizado em agosto.

2.   Para os aposentados, financeiramente falando, essa antecipação é importante?

Sim. Em um ambiente inflacionário, sempre que você puder adiantar valores estará levando vantagem pois sobre o uso feito desses recursos neutraliza-se o efeito da inflação futura.

Além do mais, os aposentados já estavam acostumados com essa antecipação, ocorrida em anos anteriores.

3.   É preciso, assim como você falou em outros programas, o aposentado fazer um diagnóstico de sua situação financeira para saber para onde destinar o 13º? Planejamento é sempre a melhor estratégia?

Sim, sempre. Você não consegue controlar aquilo que não conhece, assim como não consegue chegar ao seu destino se não sabe qual é. Dominar a situação é fundamental em tempos assim. Praticamente todos os problemas relacionados a dívidas tem solução. O detalhe é saber qual atacar primeiro. Eu lembro que essa é uma parcela da população muito exposta ao consumo de medicamentos e, nessa faixa etária, a saúde costuma ir ficando precária.

4.   Se confirmada essa antecipação do 13º salário e o aposentado estiver inadimplente, o caminho é quitar essa dívida?

Sim, mas tem que haver equilíbrio. Como referido no item anterior, é preciso prevenir com relação à saúde primeiro. Claro que regularizar a situação das dívidas é importante. Mas isso não pode ter um custo baseado na negligência com a saúde. Há que se ter bom-senso.

5.   E para o aposentado que não tem divida, mas também não tem o hábito de poupar, o que fazer com essa possível antecipação?

Que tal ele ir criando o hábito de reservar uma parte dos seus rendimentos? Todos nós somos tomados por surpresas eventualmente. E, em determinados casos, a solução requerida é imediata. Nessa hora, ter uma reserva financeira pode ser fundamental. Por menos que alguém ganhe, se essa pessoa se acostumar a reservar 10% do seu rendimento para investimento em pouco tempo verá que seu esforço compensa.

6.   Esse dinheiro também pode ser usado para investir?  Quais seriam os melhores caminhos?

Sim, claro. Hoje temos produtos financeiros que dão um retorno razoável e partem de um valor de aplicação pequeno. O fundamental é sempre, no início, poder dispor desse recurso numa eventualidade. Não adianta nada fazer um investimento sofisticado e, numa necessidade, não ter acesso a ele.

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(Essa matéria foi o tema do quadro ‘O Especialista’, veiculado pela Rádio Brasil Central AM 1.270 de Goiânia, na terça-feira 18/07/2017, a partir das 9:05 h)

José Mario

Sobre José Mario

José Mario é pós-graduado em Administração e empresário. Foi bancário, árbitro de Tribunal de Mediação e Arbitragem e dirigente de classe empresarial. Especialista em microfinanças, é Orientador em Finanças Pessoais desde 2001, dedicando-se à educação financeira e interessado em tudo o que se relaciona com o assunto. É o editor da Clínica de Finanças, website voltado ao ensino e análise das finanças pessoais.

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